São quatro como quatro são os pontos cardeais
Virtudes cardeais
quer dizer virtudes centrais, fundamentais, orientadoras. É o mesmo que
virtudes morais. São quatro como quatro são os pontos cardeais, as estações do
ano, os lados da cruz, os alicerces da casa, os pés da mesa e da cama. A
quaternidade para Jung é símbolo da perfeição. Eis as virtudes:
Prudência É o reto agir, o bom senso, o equilíbrio. Cuida do
lado prático da vida, da ação correta e busca os meios para agir bem. Prudência
é o mesmo que sabedoria, previdência, precaução. O prudente é previdente e
providente. É pessoa que abandona as preocupações e abraça as soluções. Deixa
as ilusões e opta pelas decisões. Rejeita as omissões e se empenha nas
ocupações. O lema dos prudentes é: “Ocupação sim, preocupação não.” A prudência
coloca sua atenção na preparação dos fatos e eventos e nunca na precipitação
nem no amadorismo ou improvisação. Ciência sem prudência é um perigo.
Temperança É o auto-controle, auto-domínio, renúncia, moderação.
A temperança ordena afetos, domestica os instintos, sublima as paixões,
organiza a sexualidade, modera os impulsos e apetites. Abre o caminho para a
continência, a castidade, a sobriedade, o desapego. É próprio da temperança o
cuidado conosco mesmo, com os outros e com a natureza. A temperança não permite
que sejamos escravos, mas livres e libertadores e nos encaminha para o
cumprimento dos deveres e para a maturidade humana. Sem renúncia não há
maturidade. Grande fruto da renúncia é a alegria e a paz.
Fortaleza Faz-nos fortes no bem, na fé, no amor. Leva-nos a
perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar
rotina e omissões. Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos
os desafios e a profecia. É virtude dos profetas, dos heróis, dos mártires e
dos pobres. A fortaleza dos mártires e a ousadia dos apóstolos, como também a
força dos pequenos e dos fracos é um sinal do dom da fortaleza na vida humana e
na história da Igreja. Hoje a fortaleza nos leva a enfrentar a depressão, o
stress, o câncer, a AIDS, os golpes da vida. Grandes são os conflitos humanos,
porém maior é a força para superá-los. A vida é luta renhida, dizia nosso poeta
e a fé é um combate espiritual. “Coragem, Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
Justiça Regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade
humana, respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz. Sem a
justiça nem o amor é possível. É a virtude da vida comunitária e social que se
rege pelo respeito à igualdade da dignidade das pessoas. Da justiça vem a
gratidão, a religião, a veracidade. Não se pode construir o castelo da caridade
sobre as ruínas da justiça. Pelo contrário, o primeiro passo do amor é a
justiça, porque amar é querer o bem do outro. A justiça é imortal (Sab 1,15).
Esta virtude trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro,
à comunidade e à sociedade.
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