A vida nos marca com muitas histórias de superação, em uma delas eu estava ali, no frio da solidão e, mesmo assim, precisava predispor-me em uma apresentação artística.
Não pense que corri, mas, confesso que relutei, não fosse a vontade de gritar e chorar pelo abandono por hora sentido pela lastima ausência daqueles que amo. E se eu esquecesse a sequência da coreografia? Se eu fizesse feio mediante a minha triste solidão, o que iam fazer comigo?
Dei um goto seco, tomei meus passos inseguros, confiei num único pingo de esperança que em mim existia... a solidão.
Entrei em cena e expressei toda minha alma dolorida, quase chorei por fora, mas me contive por dentro; se errei algum passo? Desculpe-me, não lembro. Lembro apenas da multidão em lágrimas, de pé com poucas palmas marcadas e eu angustiado por não entender o motivo. Ah, era o cortejo de uma mísera expressão da minha humilde, sincera e verdadeira DANÇA SOLITÁRIA que comoveu a todos depois de ter arruinado comigo.

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