A metodologia do ensino, seja ela na dança ou em qualquer área, é o único meio de tornar uma aula prestigiosa. Pensando assim, os textos em discussão: Dança no Contexto e a Abordagem Triangular do Ensino de Artes, traz como proposta, possibilidades de transformação e inclusão social através do ensino da dança. Um tema atual, mas que se predominou na década de 1980 e foi sistematizada no período de 1987/1991.
Nos últimos anos vem sendo crescente as publicações de livros sobre o ensino de dança no Brasil, caracterizando um momento de maior interesse a respeito da linguagem da dança. A Isabel Marques sistematiza os seus últimos 15 anos de atividade docente, artística e de pesquisa. A autora é reconhecida como artista, pesquisadora e docente em dança. Seu trabalho na pesquisa metodológica na área do ensino de dança é pioneiro no Brasil, assim como é pioneira no Brasil a sistematização de uma pesquisa desenvolvida ao longo de quatorze anos. A autora utiliza como diretriz analítica os estudos.
Em “Linguagem da Dança: Arte e Ensino” é perceptível a visão em ampliar conceitos e expandir as práticas sobre o ensino de dança nos dias de hoje sob uma perspectiva crítica, relacional e transformadora. E na Abordagem Triangular podemos refletir sobre as principais pesquisas, discussões, teorias em torno deste tema, visto que, no Ensino de Artes, a autora, Regina Stela Machado, também reflete sobre o movimento. Rudolf Laban, “o movimento é um processo pelo qual um ser vivo se capacita a satisfazer uma gama imensa de necessidades interiores e exteriores.”
Na prática vivenciada em sala de aula, quando a professora colocou a música e pediu para que os alunos se movimentassem experimentando os níveis, foi visivelmente o tempo de cada aluno, os níveis que cada um usava e como brincavam com isso. Em seguida, foi formado duplas, uma ia respondendo os movimentos do outro na dança, entrando em sintonia, um no ritmo um do outro. A cada movimento, uma qualidade diferente. Em tese, nas vivências em sala de aula, percebemos que o espaço-temporal em que nos encontramos, vivemos e existimos nos constituem corporalmente e estão diretamente relacionadas a quem somos e como atuamos nas tessituras das redes sociais. Não há como negar, reciprocamente, são nossos corpos, suas ações, atitudes e posicionamentos que constroem os espaços e os tempos em que nos localizamos. Assim, o ser constituído como ser social, com sua diversidade cultural, corpos, híbridos, transitórios e fluidos leem o mundo segundo seus próprios cruzamentos, suas próprias percepções, histórias, aprendizados, estados corporais.
Os eixos que remetem a abordagem triangular: produção, leitura e contextualização, permite-nos, fazer um paralelo com a proposta de Isabel Marques quando ela defende a ideia do tripé: arte-ensino-sociedade e os entrelaçamentos entre as faces da quadra articuladora: problematização-articulação-crítica-transformação. O que ambas têm em comum? As percepções, impressões, sensações que temos de nós mesmo, mesmo que socialmente constituídas e historicamente construídas, nem sempre correspondem ao que os outros veem e percebem em nós; vemo-nos em relação aos outros, ao meio em que vivemos, no entrelaçamento de redes de percepções, sentimentos, afetividades, histórias que atravessam nossos corpos. Esses corpos são os mesmos que dançam em nossas salas de aula.
Sendo assim, ler tem o sentido de reconhecer e compreender poeticamente códigos e principalmente o sentido de dar combustível ao universo de imagens internas significativas responsáveis pelo vigor conceptivo do ser humano. Esse eixo trata das ações que envolvem o exercício da percepção. Nesse contexto, a teoria e a prática em sala de aula, observamos, sobretudo, o eixo da contextualização, a leitura do texto e as técnicas que foram para o corpo, e o processo de construção dos movimentos no corpo a partir disso.
REFERENCIAS:
MARQUES, Isabel. Linguagem da dança: arte e ensino. São Paulo: Digitexto, 2010.
BARBOSA, Ana Mae; CUNHA, Fernanda Pereira. Abordagem Triangular no ensino de artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010.
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